A Terra dos Meninos Pelados

A Terra dos Meninos Pelados

Graciliano Ramos

Language:

Pages: 61

ISBN: 2:00328185

Format: PDF / Kindle (mobi) / ePub


About the author:

Graciliano Ramos was widely considered one of the most important Brazilian authors of the 20th century. He was a seminal voice in the literary "regionalism" movement.
As a child Ramos lived in many cities of Northeastern Brazil, stricken by poverty and severe weather conditions (droughts). After high-school, Graciliano went to Rio de Janeiro where he worked as a journalist. In 1915 he traveled to Palmeira dos Indios, state of Alagoas, to live with his father and in 1927 he was elected mayor.
In 1933 he published his first book, Caetés. A few years later he was jailed by the Getúlio Vargas government, on a charge that was never made clear. His experiences in jail would become a unique personal deposition, Memórias do Cárcere.
Graciliano died in 1953, at the age of 60. His "dry" style of writing and the conflict between the id and the world are the significant marks of his works.

About the book (in Portuguese):

Graciliano Ramos, um dos maiores escritores brasileiros do século XX, traz em seu livro infanto-juvenil, A Terra dos Meninos Pelados, a história de Raimundo, um menino diferente de todos os outros por ter um olho preto, o outro azul e a cabeça careca. Cansado de ser alvo de chacota na escola e nas ruas da cidade, Raimundo parte em uma viagem fantástica para um lugar onde as pessoas saibam conviver com as diferenças.

The Prose Edda: Norse Mythology

Against a Crimson Sky (2nd Edition) (Poland Trilogy, Book 2)

Romantic Medicine and John Keats

The Yada Yada Prayer Group Gets Tough (Yada Yada Prayer Group, Book 4)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

logo, d. Laranjeira. Passe bem. — Divirta-se. CAPÍTULO Quatro Raimundo continuou a caminhada, chupando a laranja e escutando as cigarras, umas cigarras graúdas que passeavam sobre discos de vitrola enormes. Os discos giravam, soltos no ar, as cigarras não descansavam — e havia em toda a parte músicas estranhas, como nunca ninguém ouviu. Aranhas vermelhas balançavam-se em teias que se estendiam entre os galhos, teias brancas, azuis, amarelas, verdes, roxas, cor das nuvens do céu e cor do

gente. Teatro é casa. — Estou falando nos sujeitos que estão dentro do teatro, pipilou o pardal. — Bem, isso é outra cantiga, concordou Raimundo. CAPÍTULO Nove — Cadê o menino que veio de Cambacará? gritava o povaréu. — Essa tropa não sabe geografia, disse Raimundo. Cambacará não existe. — E por que é que não existe? perguntou a rã. — Não existe não, sinha Rã. Foi um nome que eu inventei. — Pois faz de conta que existe, ensinou a bicha. Sempre existiu. — A senhora tem certeza? —

infelicidade! choramigou o anão. — Vamos procurar a Caralâmpia, convidou Talima. Deixe de choradeira, nanico. — Já deixei, murmurou o anãozinho enxugando os olhos. Saíram todos, gritando, pedindo informações a paus e bichos. O sardento ia devagar, distraído. Puxou Raimundo por um braço: — Eu tenho um projeto. — Estou receando que anoiteça, exclamou Raimundo. Se a noite pegar a gente aqui no campo... Era melhor entrar em casa e deixar a Caralâmpia para amanhã. — O meu projeto é curioso,

Conversava sozinho e desenhava na calçada coisas maravilhosas do país de Tatipirun, onde não há cabelos e as pessoas têm um olho preto e outro azul. CAPÍTULO Dois Um dia em que ele preparava com areia molhada a serra de Taquaritu e o rio das Sete Cabeças, ouviu os gritos dos meninos escondidos por detrás das árvores e sentiu um baque no coração. — Quem raspou a cabeça dele? perguntou o moleque do tabuleiro. — Como botaram os olhos de duas criaturas numa cara? berrou o italianinho da

perguntou o bichinho. — É, d. Aranha. Muito obrigado, não preciso mais dela. — Quer dizer que volta para Cambacará, não é? coaxou a rã na beira da poça. — Volto, sim senhora. Volto com pena, mas volto. — Faz tolice, exclamou o tronco. Onde vai achar companheiros como esses que há por aí? — Não acho não, seu Tronco. Sei perfeitamente que não acho. Mas tenho obrigações, entende? Preciso estudar a minha lição de geografia. Adeus. CAPÍTULO Vinte e Três Atravessou o rio com um passo. As

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